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segunda-feira, 26 de março de 2018

CINETEATRO SÃO LUIZ COMPLETA 60 ANOS DE MEMÓRIA EM FORTALEZA-CE.

Sobre o assunto

Indo além do caráter comercial, o São Luiz, que hoje completa 60 anos, passou a fazer parte da memória afetiva de Fortaleza. “A primeira vez em que estive num cinema foi lá, eu tinha 3 ou 4 anos. Fui assistir A Noviça Rebelde. Lembro que minha irmã Izaíra ficava traduzindo o filme para mim. Num momento, eu disse: ‘tu pode parar de falar pra eu assistir o filme?’”, conta a cantora Aparecida Silvino, que morava próximo ao Centro e ir ao cinema era trivial. “Lembro da sensação de estar num lugar imenso. Era um palácio, coisa de Disney”, rememora.
“Entregando o São Luiz ao público cearense, sinto-me feliz de ter podido realizar uma aspiração que sempre tive, de dotar Fortaleza com uma casa de espetáculos à altura do seu progresso e do seu povo”, escreveu Luiz Severiano Ribeiro, criador daquele cinema, no programa distribuído ao público que chegava para a inauguração, em 26 de março de 1958. A primeira sessão foi com o filme Anastacia, A princesa Esquecida, com Ingrid Bergman no elenco.

O arquiteto e compositor Fausto Nilo era um adolescente na época e estava rente às cordas que separavam o público convidado para a inauguração daquele que ficava reunido na Praça do Ferreira vendo o desfile de carros de luxo. “Ali juntou uma multidão e vi o povo chegando, os ricos. Era uma coisa tipo de Mônaco, guardadas as proporções conterrâneas. Fiquei até fechar as portas e o filme começar”, lembra o cinéfilo que, quatro ou seis ou meses depois, mandou fazer um paletó, traje obrigatório para entrar no São Luiz, e pode assistir a seu primeiro filme, Escala em Tokyo, com Mark Fennon. “Usei esse paletó até ficar curtíssimo”.
"Aquilo, quando eu era jovem, era fascinante. O que mais chamou atenção foi o show de luzes"
FAUSTO NILO Arquiteto e compositorOutra lembrança de Fausto são os tapumes da construção do cineteatro. A obra teve início em 1938, no lugar do antigo cine Polytheama. A II Guerra Mundial acabou protelando a abertura da sala por 20 anos. “Tinha uma lenda que o dono demorou porque queria fazer o melhor do Brasil”, comenta ele, que não esqueceu a própria reação ao ver a obra pronta. “Aquilo, quando eu era jovem, era fascinante. O que mais chamou atenção foi o show de luzes. Quando o filme ia começar, tinha umas badaladas. Aí reduziam as luzes, até ficar escuro”.
As luzes e o tamanho do São Luiz também impressionaram Socorro Acioli. A escritora foi pequena assistir Superman, com Christopher Reeve no papel principal, e teve como companhia um casal de namorados. “Eu fui pra essa sessão de cinema meio que para segurar vela, já que o casal não podia ficar sozinho. Eu achei aquele negócio sensacional. Lembro que olhava muito pra o teto, impressionada com a altura, o tamanho da sala, o filme. Mas eu não entendia como é que, diante daquilo tudo que estava acontecendo, eles ficavam só se agarrando”, lembra entre risadas.
Para a escritora Ana Miranda a lembrança mais forte foi do lançamento do filme Padre Cícero, O Milagre de Juazeiro, em que atuou no papel da beata Maria de Araújo. Era 1976 e o São Luiz ainda preservava uma parte do glamour e da elegância dos primeiros anos. Em seguida, os hábitos mudaram, e o paletó e o vestido longo não eram mais comuns naquele ambiente art decó. “Tinha muita gente e fiquei encantada com o lugar. Eu subia no palco e ficava olhando aquilo ali”, conta Ana, que usou um vestido longo, preto com bolinhas brancas e rendas no peitoral. “Não chegava a ser a rigor, mas era uma coisa mais fina. Ainda tinha um resquício de elegância no São Luiz, uma preocupação com a compostura”. Essa mesma elegância e beleza transpiravam para a Praça, logo em frente. “Lembro que mostraram a praça e contaram histórias folclóricas de poetas. Lembro da torre com o relógio, de fazer um passeio e achar um lugar muito rico, mas precisando de cuidado. Era muito interessante, mas precisava de atenção. Mas o que me fascinou foi o cineteatro, que é muito lindo. Uma das poucas coisas que ainda não destruíram”.
PATRIMÔNIO
Idas e vindas 
Em 1991 o Cine São Luiz foi tombado como patrimônio histórico e cultural pelo Governo do Estado do Ceará. Em outubro de 2007, o São Luiz foi arrendado à Federação do Comércio do Estado do Ceará, passando a funcionar como Cine São Luiz - Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro. Em 2011, o prédio do Cine São Luiz foi adquirido pelo Governo do Estado do Ceará, passando por restauração e modernização de seus equipamentos, sendo reinaugurado em 2014 e definitivamente reaberto em 2015, voltando à cena cultural como um Cineteatro popular, acessível e de valorização da produção artística e cultural cearense e do Brasil. 
MARCOS SAMPAIO
FONTE:O POVO ONLINE

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