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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

FILME CEARENSE CONQUISTA TRÊS PRÊMIOS NO 49º-FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO.

"O Último Trago" foi vitorioso nas categorias de montagem, fotografia e atriz coadjuvante

Cena do longa-metragem
A cearense Samya de Lavor, vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante, em cena do filme ''O Último Trago'' (Foto: Divulgação)
O longa-metragem cearense “O Último Trago” conquistou três prêmios de um dos principais festivais brasileiros de cinema. O filme dirigido por Ricardo Pretti, Pedro Diógenes e Luiz Pretti arrematou o troféu candango em fotografia - assinada por Ivo Lopes Araújo; melhor atriz coadjuvante - para Samya de Lavor; melhor montagem.
“O último trago” durou seis anos para ser realizado, desde que seus diretores se encontraram com a produtora Vânia Catani em um festival no Rio de Janeiro. Foi quando surgiu o convite para realizar um filme que abordasse o cinema autoral e ainda fosse uma grande produção.

O longa não é um filme de história, propriamente, como afirma o diretor Pedro Diógenes, mas “fala de resistência, empoderamento e tomada de consciência”. O “elo” que promove a transformação é a personagem Valéria, o espírito de uma índia guerreira. As cenas do filme passam por três locais e épocas diversas: sertão, praia e cidade. No Ceará, serviram de locação Cumbe (Aracati), Missi (Irauçuba), Pecém e Fortaleza.  Sempre com a presença de Valéria, que se revela de forma diferente.
Exibido para mais de 600 pessoas em Brasília, o filme gerou reações diversas por “não ser um filme convencional”, como Diógenes afirma. Ainda assim, para ele, a chance de estar no festival “mais tradicional do País” e vencer três prêmios é um grande reconhecimento. A atriz premiada Samya de Lavor espera que “as questões tratadas pelo filme levantem poeira e reverberem por aí; que as pessoas se reconheçam - pois tratamos da nossa cidade, dos povos indígenas, do nosso calor, dos nossos mortos, da nossa resistência e consequentemente do nosso cinema - e sobretudo, saibam que por trás desse prêmio tem um catatau de gente”. 
Samya tem sua vida envolvida com o teatro há mais de 20 anos, com a irmã, Christiane de Lavor, que também é atriz. Foi o terceiro prêmio de sua carreira. “A Valéria, meu personagem, é uma figura que perpassa o tempo e que carrega fortemente sua ancestralidade. A composição dela foi um processo coletivo com o pessoal da direção, arte, maquiagem, figurino, fotografia e tudo mais”. 
Ela destaca que um ponto fundamental foi seu envolvimento com a etnia indígena Pitaguari, com quem teve aulas de arco e flecha e a oportunidade de conviver.
No 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, nove filmes competiram na Mostra Competitiva de Longa-Metragem e concorreram a prêmios no valor de R$ 250 mil. Os nove eram inéditos no Brasil e foram provenientes de sete diferentes estados do País. O vencedor da mostra foi “A Cidade onde Envelheço”, que além de “O Último Trago”, competia com “Antes o tempo não acabava”, “Deserto”, “Elon não acredita na morte”, “Malícia”, “Martírio”, “Rifle”e “Vinte Anos”.
Cena do longa-metragem
O filme foi gravado em Cumbe (Aracati), Missi (Irauçuba), Pecém e Fortaleza (Divulgação)
Sobre o filme
“Os vivos pedem vingança. Os mortos minerais e vegetais pedem vingança. É a hora do protesto geral. É a hora dos voos destruidores. É a hora das barricadas, dos fuzilamentos. Fomes, desejos ânsias, sonhos perdidos; Misérias de todos os países uni-vos!”, declara a sinopse. O longa foi produzido pela Alumbramento em co-produção com a Bananeira Filmes. As gravações duraram cinco semanas, - em novembro e dezembro de 2015 -, com equipe composta por profissionais de vários estados brasileiros, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Brasília e Pernambuco, além do Ceará.
O roteiro do longa-metragem foi desenvolvido por Francis Vogner dos Reis, junto dos diretores. Sua produção contou com recursos da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará provenientes do Edital de Cinema e Vídeo, e com complementação financeira da Ancine através do Fundo Setorial do Audiovisual.
Crítica
Sobre o longa, o crítico, pesquisador de cinema e jornalista Fernando Oriente escreveu no site Tudo Vai Bem: “Um filme de forma, de entrega total à potência da imagem, que ganha demais pela fotografia primorosa e seu uso marcante da luz, das intensidades e variações dessa luminosidade e pela inserção de filtros. Sem contar a precisa encenação, a manipulação de climas e tensões e a construção belíssima e altamente significativa dos quadros”.

MARIAH COSTA

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