Redenção. Neste 13 de maio, 130 anos após a promulgação da Lei Áurea, uma espécie de escravidão, a social, ainda permeia entre os engenhos de cana-de-açúcar e nos ares de Redenção. Esse é o sentimento de universitários egressos de cinco países do continente africano, residentes na primeira cidade do Brasil a abolir oficialmente a escravatura. Eles começaram a chegar no início de 2011, para formação no Campus da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Passados seis anos, ainda dizem sentir discriminação por parte da população local.
Numa roda de amigos, quando uma conversa descontraída começa, logo surgem relatos, em bom Português - língua oficial de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe - sobre os constrangimentos sofridos no dia a dia da cidade onde, no primeiro dia de janeiro de 1883, em frente à igreja Matriz, foram entregues a 116 escravos, as primeiras cartas de alforria no País. Para quem carrega no sangue essa história, é difícil de entender como um lugar abolicionista continua acorrentado ao passado.
Essa é a opinião de Denise Fernandes Vilhiete. Ela partiu há seis anos de São Tomé e Príncipe, um estado insular localizado no Golfo da Guiné, composto por duas ilhas principais e várias ilhotas, para cursar Engenharia de Energia na Unilab. A universitária reconhece ter reduzido mais a desconfiança e os insultos dos anfitriões, mas algumas situações, apesar de isoladas, ainda persistem. O conforto aparece em amizades sinceras e no acolhimento de braços abertos de quem entende o que realmente é liberdade.








