Em situação de rua há três anos, José Isaías precisou abandonar a casa onde morava em Fortaleza, construída com as próprias mãos
Fonte:Por Theyse Viana, theyse.viana@diariodonordeste.com.br
Sonho de José parece óbvio em se tratando de quem vive sem teto: ter uma casinha construída com as próprias mãos.FOTO: FABIANE DE PAULA
Se as ruas são casas e nelas vivem famílias, as mesmas vias sem endereço que abrigam Jesus há 14 anos se tornaram cômodos para José há três. Novato na vida incerta da falta de teto, mas veterano de vivências, o ex-pedreiro José Isaías da Conceição acumula 58 anos de idade e um punhado denso de frustrações – por causa de conflitos alimentados pela violência urbana, ele foi expulso da residência que construiu para viver, calejando as mãos no cimento grosso, e encontrou um viaduto de Fortaleza como destino possível para passar os dias.
A migração de uma comunidade na Praia do Futuro para um barraco à beira de uma das vias mais movimentadas da Capital, a Avenida Antônio Sales, se deu a pedido da mãe, única consanguínea de quem sente falta – porque dos quatro filhos que teve com a ex-companheira, não tem contato com nenhum. “Nunca me ajudaram nem ligaram, por que eu vou sentir?”


