Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil
O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, respondeu à crise de segurança - expressa no aumento do número de homicídios no estado - com a cobrança de que gestores municipais façam com que as prefeituras cumpram suas atribuições em áreas que, na visão do Estado, influenciam na ocorrência de crimes. O pedido foi feito em reunião com os prefeitos de 13 dos 14 municípios da Região Metropolitana do Recife, hoje (13).
A reunião foi convocada pelo governador e deve ser repetida com prefeitos da Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco. Na mensagem de início do encontro, que pôde ser acompanhada pela imprensa, o governador reconheceu que, desde 2014, Pernambuco não consegue resultados na redução de homicídios com o Programa Pacto Pela Vida. Depois, ele falou com a imprensa sobre “parcerias” com as prefeituras para que cumpram a parte que lhes cabe e também para a troca de informações entre os Poderes.
“Vai depender também da peculiaridade de cada município, mas nossa disposição é juntar todas as informações que temos, juntas com as equipes municipais, para potencializar uma política de segurança que dê resultados mais rápidos”, disse.
Aumento desde 2014
A reunião com os gestores municipais foi convocada pelo governador e deve ser repetida com prefeitos da Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco
O Pacto Pela Vida foi criado pelo ex-governador Eduardo Campos em 2007 para reduzir homicídios no estado. A política foi bem sucedida até 2014, quando o número de assassinatos voltou a crescer. Assaltos a ônibus, bancos e arrastões também aparecem cotidianamente nos noticiários locais.
O número de homicídios de 2016 foi o maior desde 2009. Mais de 4.300 pessoas foram assassinadas no período, segundo dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. O aumento em relação a 2015 é de cerca de 12%. Os dados de janeiro de 2017 ainda não foram divulgados oficialmente. A previsão, segundo a assessoria de comunicação do órgão, é que as informações sejam liberadas na quarta-feira (15).
O secretário de Planejamento e coordenador do Pacto pela Vida, Márcio Stefanni, citou responsabilidades dos municípios que foram discutidas e que, na sua visão, poderiam impactar nos índices de violência. “Há bares que funcionam sem poder funcionar, postos de gasolina que vendem bebida sem a devida licença”, disse. “Também falamos da fiscalização de motocicletas. Algo em torno de 30% dos homicídios que acontecem em Pernambuco são cometidos a partir do uso de motocicletas, então aos municípios cabe a fiscalização do trânsito”.


