Jardel Sebba
NEY MONTES / ACERVO PESSOAL
Quando a seleção brasileira feminina de futebol estrear nos próximos dias pelo mundial da categoria, entrará em campo com ela a sombra das pioneiras do esporte no país, que enfrentaram pobreza, descrença, machismo, ofensas e altas doses de amadorismo para pavimentar a estrada que Formiga e Marta podem trilhar hoje em terras francesas.
Mulheres que foram tachadas de criminosas a atrações circenses exclusivamente pelo desejo de algo tão simples quanto jogar bola.
"Memória é o que você escolhe esquecer, não necessariamente o que você enaltece e quer guardar. Por isso, desde 2015, com a explosão do feminismo no mundo, a gente passou a olhar para essa história de outra forma", diz Daniela Alfonsi, antropóloga e diretora do Museu do Futebol, em São Paulo, que inaugurou em maio a exposição CONTRA-ATAQUE! As Mulheres do Futebol, que reúne material precioso dos primeiros anos e da evolução do esporte no país.
Há registros da prática do esporte entre mulheres desde o começo do século passado, mas foi na década de 1940 que a prática começou a se popularizar entre elas. Tanto que começou a incomodar.
"E, neste crescendo, dentro de um ano é provável que em todo o Brasil estejam organizados uns 200 clubes femininos de futebol, ou seja, 200 núcleos destroçadores de 2.200 futuras mães", escreveu o senhor José Fuzeira em carta endereçada ao então presidente Getúlio Vargas e publicada no jornal Diário da Noite em 7 de maio de 1940.





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