HISTÓRIA | Há 20 anos, a música perdia dois de seus maiores intérpretes. Separados por um hemisfério, Nelson Gonçalves e Frank Sinatra construíram carreiras marcadas por sucessos enormes, quedas vertiginosas e coincidências curiosas
Da origem simples ao estrondoso sucesso nacional, Nelson Gonçalves precisou lutar muito para se manter no panteão da indústria fonográfica. Sua produção constante de discos, num determinado momento, até teria chamado a atenção de um colega de profissão nascido na América do Norte, impressionado com as mais de duas mil gravações do cantor brasileiro: esse colega era Frank Sinatra. O encontro com “a voz” era uma das muitas histórias que “o boêmio” contava repetidas vezes, mas que carece de provas, testemunhas ou mesmo veracidade – assim como esse número absurdo de canções. Ainda assim, em muitos outros pontos, a vida destes dois gigantes da interpretação parecia se encontrar.
Francis Albert Sinatra e Antonio Gonçalves Sobral (sim, só depois ele viria a se chamar Nelson) eram filhos de imigrantes europeus, nascidos com apenas quatro anos de diferença. O jovem casal Marty e Dolly Sinatra veio da Itália para se instalar na pequena Hoboken, em New Jersey, onde tiveram um único filho nascido num penoso parto a fórceps no dia 12 de dezembro de 1915. Marty, analfabeto, se virava como fabricante de cadeiras e garrafas, ou outros empregos. Ao contrário da esposa, forte, exigente e com fama de “boca suja”, ele era um sujeito calado que passou invisível pela vida do herdeiro famoso.







